quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Os Últimos Passos de um Homem

Estarrecedor. Há muitos jogos poderosos nesse filme, que não falha em ajuntar suas partes para formar um todo bem-feito. O duelo de interpretações de Sarandon e Penn é o principal, através de diálogos inteligentes, uma direção sutil e sensível (uma cena chuvosa, dentro da prisão, que NÃO é um momento bombástico? A-do-rei) e duas interpretações de cair o queixo. Penn cria um retrato marcante do condenado, dando-lhe apenas os traços de humanidade que o roteiro (sabiamente) permite a Matt, sempre caminhando a passos lentos para o inevitável. Sarandon, por outro lado, cria uma figura igualmente trágica mas não por isso fraca, oferecendo fibra e dignidade à personagem - algo imprescindível para o filme. No entanto, ela sofre com seu excesso de bondade, apresentando-se solícita e vulnerável inclusive quando isso a coloca em situações humilhantes.

E isso não muda. Essa não é uma história de revolução pessoal. Há uma moderação maravilhosa no tocante às mudanças que ambos os personagens sofrem com a convivência mútua, e tampouco espere um final surpreendente: não há nada de inesperado na conclusão, e isso é o diálogo perfeito com a inevitável execução de Matt. O outro jogo intenso do filme é entre uma perspectiva e outra, pois somos manipulados, sim, mas por ambos os lados, dando um equilíbrio moral que resulta do desequilíbrio emocional - o resultado, arrebatador, são lágrimas constantes, seja a fonte do pranto o assassino ou a vítima. Matt é visto como uma vítima também (a cena que evita a comparação com Jesus Cristo é genial), mas isso não é moral ou ético, é meramente humano. Uma pessoa com uma data de morte marcada sofre e não é errado sentir pena, e mais ainda de Matt, que revela algo mortificante à conselheira, algo que não o redime de seus crimes, mas que comprova a dimensão da pena que ele pagou. Contando ainda com uma fotografia precisa de Roger Deakins e uma trilha sonora magnífica, pontuada pelo incrível Eddie Vedder, este filme é um primor moral, humano e cinematográfico.

Nota 9.

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