O filme anterior de Nuri Bilge Ceylan parece mais radical ainda que o seguinte "Three Monkeys". Apostando num jogo de cena simples, mas significativo, o diretor parece encontrar sua razão de ser nos intermináveis closes no rosto dos personagens (os principais interpretados por ele mesmo e sua esposa, Ebru), apenas murais petrificados do turbilhão de emoções que passa dentro de suas mentes. A comparação da mulher com uma pilastra é perfeita, pois ela é isso, um totem, seu rosto apenas uma escultura bela entalhada em mármore sólido. Dentro dela ocorrem muitas coisas, e Nuri apenas mostra isso, sem explicar o que exatamente se passa. Os olhos aqui têm o sentido de janelas da alma, não no sentido Ralph Fiennes de atuar, mas os personagens fitam tanto o vazio, e uns aos outros, que a conexão é feita da mesma forma.
É difícil manter essa linha de atuação inabalável, mas o elenco consegue, com expressões absolutamente vazias (excetuando-se a voluptuosa Serap e a sensualidade com que seu olhar e o de Isa (Nuri) se conectam). O estilo das atuações é estranho, e ocasionalmente artificial, como a cena em que Bahar em que Bahar (Ebru) chora sem mover um músculo da face - pura revolta autoral, não dá para chamar isso de direção de ator. Mas normalmente funciona, pois o filme se foca nas reflexões pessoais, todas fortemente influenciadas pelo clima (o metereológico mesmo) e absolutamente internas. Ver "Climas" é como assistir a uma pessoa pensar na vida, é como fitar um rosto estático enquanto infinitos questionamentos trafegam por trás dos olhos dela. Chato pra caralho, e sublime, pois o apuro estético de Ceylan, embora também seja aqui e ali artificial e auto-indulgente, cria imagens assombrosas, e suas técnicas de filmagem injetam profundidade e inteligência ao filme.
Nota 8.
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
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