quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Vicky Cristina Barcelona

Woody Allen, o maior estudioso de personagens neuróticos da história do Cinema, aparece agora com mais uma pesquisa cuidadosa e dedicada. Em um filme nunca menos que histérico, histérico até nas sutilezas, Allen vai fundo no tema, sem medo de focar-se na neurose de cada um dos personagens. Os outros assuntos são abordados de modo igualmente detalhado, mas como conseqüências desse que é a grande força-motriz do cinema do baixinho. A estrutura temporal da projeção é pensada sabiamente, sempre focando no personagem que está com mais neuroses, criando uma alternância que só aumenta o interesse nas criaturas bizarramente reais da história. O jeito que Allen usa para conversar com o espectador é conciso e afiado, um modo paradoxalmente crítico e conivente, e a formação de um envolvimento e um diálogo interior é automático. Talvez ele seja um dos autores mais pessoais do cinema, comparável, na literatura, a Charles Bukowski, tamanha a familiaridade com os temas.

O diferencial não é esse, no entanto, pois o diretor é famoso por esses exatos motivos. O diferencial é como, a partir de um traço absolutamente histérico de personalidade, ele consegue criar um leque de possibilidades que engrandece cada um dos personagens. Vicky, a certinha anti-impulsividade, recebe a visita de sentimentos que lhe são irracionais, e o modo como o filme constantemente infere o quão saborosa seria uma mudança na vida da mulher é o principal pilar da inspirada performance de Rebecca Hall. Já para Cristina, histericamente liberal a princípio, as coisas mudam de figura, conferindo-lhe um ar errático ao longo do tempo, tirando-a da felicidade por motivos desconhecidos, talvez a própria mania do ser humano de não conseguir conviver com felicidade. Enquanto Cristina não percebe isso, e acha que simplesmente não quer a relação que encontra com Juan Antonio, Vicky sabe bem onde não está a felicidade, mas tem medo de buscar algo maior. É a balada de duas mulheres que vivem sob amarras, e um ode às escolhas alternativas – e é onde Penélope Cruz surge com intensidade.

Sua Maria Elena vem como um teste à personagem de Cristina, uma confrontação do estilo de vida que a americana teoricamente anseia. De forma nada sutil, Allen vai explorando o advento de Maria Elena na vida de Cristina, primeiro deixando-a irritada, e depois evoluindo a uma relação azeitada, tanto do ponto de vista amoroso, pois é um affair libertador, quanto do ponto de vista narrativo, pois é muito bem construído e sensual à beça. Maria Elena ganha força maior ainda quando Cristina perde o equilíbrio, dando pluridimensionalidade à relação: por mais bonita e redonda que seja, a fragilidade vem à tona quando Cristina hesita. Quando Vicky se aventura mais uma vez naquela loucura, o resultado é violento e o mais histérico de todo o filme, com o roteiro dizendo muito sobre a personagem. Maria Elena é a catalisadora da maioria dos conflitos do filme, e Penélope Cruz encarna a demente com tamanha garra que ela consegue transpor para a tela toda a importância narrativa de sua personagem.

Contando ainda com um sensualíssimo Javier Bardem (esse cara é o maior psicopata do cinema recente? Meu Deus), uma trilha sonora charmosa ao extremo e uma fotografia que só ressalta e beleza de Barcelona, que surge muito mais romântica até que Paris, “Vicky Cristina Barcelona” é um primoroso retorno à forma do Woody Allen gênio das comédias românticas.

Nota 9.

Quantum of Solace

Depois do style da série do espião britânico, com o memorável “Cassino Royale”, houve uma cisão. Ele não era mais o mesmo: foi adicionada outra camada narrativa ao personagem, que, pelo bem e pelo mal, tornou-se mais rico e mais profundo. “Quantum of Solace” dá continuidade à idéia concebida pelo filme anterior, adotando um formato igualmente conceitual. Enquanto o segundo tinha pouca ação, para dar mais foco à construção de personagem, o primeiro surge como uma orgia de adrenalina incessante, o que não deixa de ser uma opção perigosa, pois perder o fio da meada em meio a tantas perseguições é uma pandemia do cinemão atual. Mas o roteiro, escrito a seis mãos, não decepciona.

Conseguindo a façanha de, numa das mais curtas fitas de Bond, incluir pelo menos três elementos distintos, o texto faz jus a tudo que fez o agente famoso, e o algo-mais que “Cassino Royale” injetou à série. De um lado temos as cenas de ação, que provavelmente representam considerável tempo de projeção, e de outro, temos a trama político-econômica envolvendo Dominic Greene (Mathieu Almaric). Se no início o fluxo de informações consegue prender a atenção, mais tarde, boa parte da trama é explicada tintin por tintin, deixando inclusive os mais lerdos (lê-se: “eu”) totalmente a par do que está acontecendo, talvez para mostrar como o roteiro é redondinho (e quadradinho). Para os que têm uma capacidade um pouco mais afiada, porém, o didatismo deve ser a palavra-chave, pois não há nada que o filme não explique de forma segura. Ok, a trama é interessantinha, tem boas sacadas e, vai, ganha pontos por usar de assuntos ambientais, políticos e econômicos sem se exacerbar no comentário. É só um elemento do plot, nada mais, e assim é tratado.

A construção do personagem, por outro lado, apenas pontilha a narrativa, e a grande surpresa é que mesmo com um foco bem menor, James ganhe uma profundidade similar à do primeiro filme da retomada. Através de pequenos diálogos (inclusive alguns bastante trôpegos) Bond vai tomando forma, limpando-se de manchas e se dilapidando ao longo de sua experiência, fazendo o terceiro filme de Craig, talvez, o mais esperado – para onde ele vai agora, sem estancar nem retroceder? Para os impacientes (“Ele não é Bond”), há inclusive a esperada cena do martíni (menos óbvia do que eu esperava), que dá uma deixa para muitas próximas – aqueles que querem ver o agente em sua glória completa vão ter que esperar um pouco, mas, até agora, essa espera vale a pena. Para finalizar, claro, há a belíssima referência a Goldfinger, que até os fãs mais cegos têm de encarar como uma escolha condescendente e absolutamente respeitosa ao clássico personagem.
Forster, mais uma vez, mostra uma eficiência ocasional, com uma direção de atores eficiente e uma porção de planos interessantes. Infelizmente, ele cai em uma redundância triste ao mostrar os efeitos da seca na Bolívia assim que Bond e sua pussycat descobrem o plano desértico de Greene. Mas seu grande problema é a condução de cenas adrenalinescas. Talvez intimidado pela presença do celebrado Dan Bradley para coreografar a ação, Marc opta por câmeras tremidas, e põe tudo a perder. Lembrando o sofrível “Controle Absoluto”, algumas seqüências perdem força graças a essa síndrome de Quero-Ser-Greengrass, pois tudo fica confuso e aleatório num diretor que, em seus melhores momentos, usa câmeras fluidas e suaves (vide as boas cenas aéreas do ruim “O Caçador de Pipas”). Bradley não teria seu trabalho sabotado por um trabalho de câmera mais limpo, e o enorme pecado de Forster é não perceber isso. Mas as set pieces não são desprovidas de intensidade: as duas primeiras perseguições são bastante empolgantes, mesmo sem uma visibilidade adequada (a nos telhados de Siena é uma exceção, pois é bem filmada), e mesmo as piores cenas têm o ponto positivo de destituir de glamour os acidentes, deixando mortos, feridos, capotados e explodidos para trás. Mais uma vez, a ação se apresenta conceitual – note como, na cena inicial, a única capotagem filmada com atenção é uma que atrapalha o caminho de Bond na pista de baixo.

O elenco continua bom, e talvez até mais, pois Olga Kurylenko, a Camille, empresta um charme e uma emoção que, curiosamente, deixam Eva Green e sua Vesper para trás. O francês Almaric dá uma imponência formal a Greene, usando a ameaça de formas sutis e quase distantes, já que ele raramente suja suas mãos – e é uma ótima escolha do ator dar gritinhos patéticos quando se envolve em uma cena de ação de verdade, porque o herói está claramente inapto para lutar contra Oddjobs da vida, e porque o vilão tem uma motivação diferente na trama . A Dama Dench dá um foco imprescindível a M, fazendo suas poucas cenas momentos marcantes, entendendo o quão importante sua personagem é para Bond, e vice-versa. Passando pelo caricato Joaquín Cosio como o General Medrano (provavelmente influenciado pelo marido violento de “A Favorita”), o filme encontra seu eixo em Craig. Ele faz Bond vibrar, e mais, faz o espectador vibrar junto, não só se entregando de corpo às pancadarias, como de alma às emoções mais internas do agente, mas de modo fechado. No maior momento dramático do filme, ele denota seu sofrimento com um mero apertar de olhos, totalmente destituído de emoção – apenas um traço do que ele está sentindo. Talvez ainda mais brutal que no filme anterior, o protagonista passa de brutamontes para fanático, fervoroso, mudando a abordagem do personagem de modo brilhante.

Com suas falhas corriqueiras e qualidades corriqueiras, o filme alcança um saldo até que positivo, pois apresenta algumas qualidades que sobressaem e o elevam um pouquinho da trivialidade.
Nota 6,5.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Dobradinha adrenalinesca

O Ultimato Bourne

Wow. Não dá pra começar um comentário sobre esse filme sem um desses. Wow. Dois é mais adequado. E como é o terceiro filme da série: WOW!

Se Christopher Rouse (talvez o astro principal da produção) já tinha se consolidado como o parceiro perfeito de Paul Greengrass, aqui ele prova mais uma vez. Não que ele precise, mas é um puta profissional. Os minúsculos microssegundos de ação que ele captura e cola, no que deve ter sido mais difícil que caçar borboletas, são de uma economia assustadora, indo totalmente na contramão da edição vigente em Hollywood, que peca exatamente pelo excesso de cortes. Aqui há talvez tantos cortes quanto, mas com uma precisão, aliada à câmera assombrosa de Paul, que torna as mais complicadas cenas de ação fáceis de acompanhar - e a filmagem do diretor não permite que essa facilidade tenha sido alcançada sem um esforço monstruoso. Belos paradoxos.

A narrativa, nunca menos que primorosa, mantém a voltagem alta, e mesmo usando-as de vez em quando, não aposta em idéias legais como muletas. O enredo é importante, mas não supera a profundidade do personagem, que ganha a atenção onde a maioria dos blockbusters atuais resolve contar como os roteiristas criaram conceitos supimpas e elos bacanudos para juntar esses conceitos. As operações de caça a Bourne são levadas intensamente, de forma bastante similar à que vemos em "United 93", com aquela causalidade que constrói um clima de tensão irretocável - e, claro, eficiente. As cenas de ação são cadenciadas de forma exemplar, e a trilha sonora quase desaparece no fundo de tanta adrenalina (bela mixagem de som), mas ainda assim a música aumenta a intensidade.

Contando ainda com Strathairn ótimo, Julia Stiles cheia de significado (seus diálogos sem palavras com Bourne são belíssimos), Joan sabiamente menos poderosa e Damon sempre visceral, o elenco só me incomodou escalando o monstro Finney num papel tão pequeno - mas bom mesmo assim. A fotografia ficou ainda melhor, e a série toda, idem, nessa continuação espetacular, o Cavaleiro das Trevas do ano passado.
Nota: 9,5

Operação França

Imperdível, para começo de conversa. Veja, depois venha ler. A penca de Oscars merecidos dá uma boa noção de o que prestar atenção (como se fosse necessário procurar qualidades): a direção absolutamente visceral de Friedkin, cujaos movimentos de câmera certamente fizeram Scorsese babar; a edição ágil e pontual, que só faz crescer a já insuportável tensão tecida pelo diretor; o roteiro, cuidadoso, que cria personagens e situações incríveis; e, claro, Hackman, possivelmente em sua performance mais icônica. A energia que ele dá a Doyle é incomensurável, uma intensidade só equiparada a sua obsessão pelo trabalho (sua busca pela justiça é envolvente exatamente por não ser explícita através de diálogos), resultando em momentos ainda mais tensos em que ele tem de respirar fundo e encontrar a calma para fazer a coisa certa. De quebra, ainda temos cenas inteiras embasadas na personalidade do protagonista, como a inacreditável perseguição automobilística, das mais insanas e inesquecíveis de todo o Cinema - a melhor que já vi, com certeza.

No campo das categorias indicadas e não premiadas, deve-se ressaltar a sutil e eficiente atuação de Roy Scheider, os efeitos sonoros bem bolados e, claro, a maravilhosa fotografia, que encontra composições, luzes e cores que sempre condizem com o tom de cada cena. Saindo do Oscar, é necessário ressaltar a personalidade da trilha sonora, a interpretação de Tony Lo Bianco como Sal, que causa uma ótima impressão, e a de Fernando Rey, um vilão que ganha ainda mais força com os créditos finais. Os bons e velhos letreiros explicativos ganham, graças à música de Don Ellis, uma carga pessimista e quase macabra, saindo do semi-documentário filmado que é "Operação França" e caindo em algo ainda mais assustador: a realidade daquela história verídica. Não tem como não se impressionar.
Nota 10.

sábado, 10 de novembro de 2007

A Exposição Pt. 8

Quando sua mente realmente despertou, e seus olhos reviraram cada canto branco do teto, ela percebeu até onde imaginara coisas. Não havia subido para o térreo, como achava. Estava caída, atordoada por ter acabado de despertar. Olhou para os lados, e constatou que estava perdida, pois as paredes descoloridas nada indicavam, nada diziam, nada explicavam. Apenas confundiam mais ainda.

Lentamente, levantou-se, tomando cuidado para não faze-lo rápido demais e voltar ao chão. Quando estava ereta, mais uma vez, olhou à sua volta. Nada viu além das alvas e imaculadas paredes, que quase cegavam.

Tentou acessar a memória recente, mas não conseguiu descobrir quais lembranças eram reais e quais eram sonhos. (“O monstro, o monstro, lembre-se! Tente se lembrar! O demônio! ELE ERA REAL?”)

Vozes dentro dela surraram sua paciência, que, finalmente, tomou conta da situação. Começou a pensar sobre o “demônio”.

Resgatando pela abalada memória, Fernanda viu um relance da face cadavérica, cheia de pregos fincados na pele. O som, repetitivo e doentio, começou a ecoar em sua mente, e não parou. Tentou tampar os ouvidos, esfrega-los, chacoalhar a cabeça, andar, mas não conseguiu. O ritmo apavorante não saiu de sua mente.

Porém, quando tirou as mãos de perto das orelhas, viu que não era sua mente. O metal atingindo o chão não era proveniente de sua imaginação. Era algo próximo, quase palpável.

Sem nem pensar, torceu o pescoço e olhou para seu lado direito. Desta vez, não pôde fugir ou correr. Não pôde desviar os olhos da cena que presenciou naquele momento.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A Expisoção Pt. 7

Era sábado, talvez um dos dias mais interessantes para alguém ir para uma exposição. Levando isso em conta, e o horário, haveria um considerável número de pessoas perambulando na grande área do térreo. Mas não havia. Sua mente protestou.

(“Como assim não tem ninguém? Primeiro você vê um demônio numa bienal, agora não vê nada! Está precisando ir a um médico, você esta ficando fodida da cabeça!”)

Mas não havia ninguém. Não havia sombras, sons, vozes. E não eram apenas as características humanas que faltavam. Nas paredes brancas onde estavam os quadros, não havia nada. Na verdade, não se via coisa alguma, viva ou inanimada, naquele lugar. O chão não tinha pegadas, marcas de poeira, sujeira, pó. Fernanda associou sua visão à que teria da estréia da construção, pois estava impecavelmente limpa. Por alguns instantes, achou aquilo lindo, lembrando do chão gasto, empoeirado e poluído em que estivera pisando alguns minutos antes.

Acordando desse devaneio, olhou por todos os lados em pânico, porque queria avisar alguém da terrível coisa que havia visto. Apenas o medo e a sensação de urgência remanesceram; o motivo de seu pavor tinha desaparecido de sua mente.
O som torturante, vindo de trás dela, da escadaria, refrescou sua memória. Não ousou olhar a criatura de novo, então simplesmente disparou, correu até encontrar uma parede onde pudesse se esconder.

terça-feira, 6 de novembro de 2007

A Exposição Pt. 6

Longos pregos desapontaram numa face cadavérica, que permitia até ver os dentes, sem lábios a cobri-los. Não havia olhos, apenas um par de concavidades sombreadas. A espada, marcada de ferrugem (apesar de que já era mais fácil acreditar que, afinal, as manchas eram sangue seco), estava amarrada ao braço esquerdo por enormes gases – manchadas de marrom.

Quando aquela cabeça monstruosa virou-se para ela num brusco movimento, Fernanda apenas abriu a boca, tentando gritar. Mas nem um esboço de pavor saiu de sua garganta seca, apenas um sussurro áspero e inaudível. E certamente não adiantaria em nada ficar parada ao lado de uma escada tentando elevar a voz, quando um pesadelo semi-humano estava a alguns metros dali. Girou o corpo e subiu na maior velocidade que pôde.

Desta vez não tropeçou, pois estava mais concentrada em sair de onde estava do que qualquer coisa. Foi desacelerando a subida quando ia chegando, sabendo que a criatura (“Homem! HOMEM!”) não podia ser tão rápida. E também sabia que nenhum guarda acreditaria nela se chegasse correndo e berrando. Na verdade, pensava em simplesmente sair da grande construção dedicada à arte, sem avisar ninguém. Afinal, ninguém aceitaria a verdade: o que havia visto era uma manifestação infernal na Terra. Pelo menos era isso que corria em sua mente.

Quando chegou ao andar superior (que calhava de ser o térreo), um arrepio gélido subindo a nuca, ainda estava com dúvidas quanto a contar ou não sobre sua experiência estranha no subsolo. Mas a situação privou-a da necessidade de pensar sobre o assunto.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

A Exposição Pt. 5

Outra coisa, nem perto de ser uma suposição, a alarmou mais ainda. O som de tempos antes aconteceu mais uma vez, mas Fernanda tinha certeza de ver a espada encostada no chão. Nesse momento, havia duas possibilidades: o homem poderia estar carregando outra coisa que produzisse o barulho incômodo, ou sua imaginação estava se transformando em paranóia. Era muito mais interessante lidar com a segunda opção, pois a primeira era uma afronta à lógica. Não conseguia pensar em um motivo para um ser humano levar duas espadas para uma bienal pós-modernista em pleno sábado. Não que importasse o que estava exposto, ou que dia da semana era; aquilo era simplesmente estranho demais.

Mas o que veria certamente ia contra todas as suas expectativas, até as que mais se encaixavam numa fantasia inimaginável. Não olhou por muito tempo - não pôde faze-lo -,e, ainda assim, viu mais do que desejaria alguns segundos depois.