Longos pregos desapontaram numa face cadavérica, que permitia até ver os dentes, sem lábios a cobri-los. Não havia olhos, apenas um par de concavidades sombreadas. A espada, marcada de ferrugem (apesar de que já era mais fácil acreditar que, afinal, as manchas eram sangue seco), estava amarrada ao braço esquerdo por enormes gases – manchadas de marrom.
Quando aquela cabeça monstruosa virou-se para ela num brusco movimento, Fernanda apenas abriu a boca, tentando gritar. Mas nem um esboço de pavor saiu de sua garganta seca, apenas um sussurro áspero e inaudível. E certamente não adiantaria em nada ficar parada ao lado de uma escada tentando elevar a voz, quando um pesadelo semi-humano estava a alguns metros dali. Girou o corpo e subiu na maior velocidade que pôde.
Desta vez não tropeçou, pois estava mais concentrada em sair de onde estava do que qualquer coisa. Foi desacelerando a subida quando ia chegando, sabendo que a criatura (“Homem! HOMEM!”) não podia ser tão rápida. E também sabia que nenhum guarda acreditaria nela se chegasse correndo e berrando. Na verdade, pensava em simplesmente sair da grande construção dedicada à arte, sem avisar ninguém. Afinal, ninguém aceitaria a verdade: o que havia visto era uma manifestação infernal na Terra. Pelo menos era isso que corria em sua mente.
Quando chegou ao andar superior (que calhava de ser o térreo), um arrepio gélido subindo a nuca, ainda estava com dúvidas quanto a contar ou não sobre sua experiência estranha no subsolo. Mas a situação privou-a da necessidade de pensar sobre o assunto.
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