Quando as Metralhadoras Cospem
Puta filminho divertido dos diabos, com um monte de musiquinhas viciantes, um design de produção em miniatura (aqueles carros, oh my gooood) e a clara sensação de que tudo é bagunça - só ver como acaba o furdúncio. Mesmo com bilhões de personagens que aparecem rápido e somem mais rápido ainda, vozinhas irritantes e um bando de situações aleatórias, eu acho o máximo! Clássico caso de "amo-até-os-defeitos".
Nota 8.
Feliz Natal
Pequeno grande filme para Selton estrear. Se por um lado a direção do cara (e até o roteiro, mas em menor escala) fica muito preso ao formato artístico em voga no Cinema, por outro lado temos um brilhante veículo para que o elenco, homogeneamente irretocável, dê um show. Do ambígüo Guarnieri à instável Moretto, passando por um Mauro duríssimo e hipócrita, e Glória cuspindo amargura a cada sílaba, os atores dominam o jogo de cena de Mello, incrivelmente versátil, intenso e espontâneo. Meu preferido é mesmo Leo Medeiros, que não fraqueja como protagonista em um segundo sequer, servindo, antes mesmo de o roteiro revelar o duro segredo, como catalisador de toda a desolação e destruição daquela família arrasada. A cereja no topo dessa aula de direção de atores é a trilha de Plínio Profeta, que entra por debaixo da pele e fica pro um bom tempo.
Nota 8.
Jules e Jim
Sem dúvida um dos relacionamentos mais complexos já concebidos pelo Cinema, essa jóia de Truffaut consegue empolgar, instigar, questionar, incomodar, cativar, e criar uma genial reflexão dentro de seu tema, que ganha aqui uma abordagem hiper-realista precisa e pontual, cortesia de personagens geniais. O rigor estético de Truffaut impressiona, sem, no entanto, parecer rigor, dando uma beleza irresponsável a seus planos e movimentos de câmera. O roteiro sensacional dá um inabalável suporte para o trio de protagonistas, arrebatador, entregar performances inesquecíveis, carregadas de um sentimento europeu, sóbrio, que não só reflete uma cultura, como serve perfeitamente à arte do filme. Um dos relacionamentos mais marcantes da história do cinema dá, para o espectador, um nada passageiro vislumbre de por quê entrou para os anais da Sétima Arte.
Nota 10.
Diário dos Mortos
Ah, o bom e velho George Romero. Voltando com um filme de zumbis. Filmado com câmera-na-mão. Mesmo amando o simpático mestre do horror, e mesmo tendo achado Dia dos Mortos e Terra dos Mortos bons filmes, eu não esperava absolutamente nada dessa empreitada. Que bom. A surpresa é grande ao constatar que ele tem, ainda, muito a dizer, através dos zumbis. O comentário afiado, marca da trilogia que faltou, em partes, no quarto filme, volta fresca e bem defendida. Além da ótima metalinguagem com o cinema de terror em geral (não só Romero denuncia os vícios do gênero como evita alguns), o comentário sobre a mídia é tecido com paixão, largamente presente nas críticas sociais dos filmes: George acredita piamente no que está dizendo. Dentre os recentes "cameranamão", "Diário" é de longe o que embasa melhor a constante filmagem, pois é mais que uma ferramenta ou recurso estilístico, é a base do conceito abordado.
O formato do filme é um caso mais complicado. Diferente de [REC] ou Cloverfield, que querem ser realisticamente realistas, o filme de Romero quer ser ficcionalmente realista. Ele traça a linha da ficção logo no começo, e deixa claro o motivo para a escolha do estilo Bruxa de Blair - e continua coerente ao justificar a presença de trilha sonora clichê, por exemplo. Ser mockumentary é parte da crítica social, e quando assusta, também tem um motivo para tal. Há uma boa dose de clichês e inconsistências no conceito, mas nada alarmante. Sobrevoando o elenco mais-ou-menos, o roteiro consegue a façanha de fazer os personagens serem memoráveis através de frases estúpidas: e, convenhamos, não há nada similar a profundidade por aqui. No entanto, alguns personagens são presenteados com uma filosofia simples e direta, que simplifica e resume a situação hipotética apresentada pelo filme, mas comenta o mundo em que vivemos de forma claríssima. Terminando da forma mais ácida possível, o filme (que, além de tudo, diverte) se prova um triunfo por mostrar o Romero autoral e brilhante.
Nota 8,5.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
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