Apenas por isso, quase trançou os próprios pés e caiu no assoalho lustroso quando a aproximação do estranho recomeçou. Não mais devagar, não mais rápida; estava no mesmo ritmo de antes, com dois segundos entre cada ruído. Agora era possível distinguir de onde vinha: de trás de uma parede branca (‘’Céus, você é um gênio, garota!’’) bem à sua frente – do lado esquerdo havia a extensa parede de vidro negro, e do direito, a escadaria. Mas Fernanda já estava mais calma. Não estava com pensamentos insanos como quando havia acabado de chegar àquele andar. Já sabia que não havia porque temer qualquer coisa. Afinal, achava que alguns dos autores expostos naquele lugar podiam usar uma bengala de ferro ou sapatos com sola de metal. Acostumara-se com excentricidades.
Estava quase dando as costas para quem vinha, mas viu algo de relance, e ficou com curiosidade de saber o que era. Saciou a vontade de descobrir o que passou pela parede, mas também ficou um pouco assustada. Desta vez, ela viu o baque, viu o que caiu. Embora ‘’cair’’ não fosse uma palavra adequada. Alguém lançou aquilo para chocar-se contra o chão duro e fazer barulho. Algo que lembrava uma espada, uma lâmina. Estava bastante enferrujada, e isso era visível até dos dez metros de distância. Um calafrio percorreu sua nuca e eriçou os pelos de seu braço, quando achou que não era simplesmente ferrugem, mas sangue seco.
A idéia era absurda, mas tomou conta de sua mente em um instante.
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